Sebrae-SP forma 17 pessoas em curso de costura e celebra histórias de superação em Capão Bonito | ASN São Paulo

O Sebrae-SP, em parceria com a Prefeitura de Capão Bonito, Fundo Social e CRAS, realizou a formatura de 17 alunos do curso “Costureiro de conserto e reformas de roupas”, em cerimônia no Centro de Convenções do município. O evento contou com a presença do prefeito Júlio Fernando, da diretora do CRAS, Regina Costa, dos consultores do Sebrae-SP, Adriano Souza e Eduardo Galvão, dos secretários Felipe Marques (Obras e Meio Ambiente) e Romano Oliveira (Relações Institucionais), do diretor da Assistência Social, Juliano Venturelli, Andressa Alves, representando a primeira-dama pelo Fundo Social e da professora Suzellia Maria, que participaram da entrega dos certificados.
A capacitação teve como objetivo qualificar os participantes para o mercado de trabalho e incentivar o empreendedorismo, ensinando técnicas como troca de zíper, barras e ajustes em peças, além de conteúdos voltados à geração de renda.
Segundo o consultor do Sebrae-SP, Adriano Souza, a formação vai além da técnica. “Mais do que ensinar a costurar, esse curso transforma vidas. Ele mostra que todos são capazes de aprender, evoluir e gerar renda, independentemente das dificuldades. Encerramos com orgulho, vendo histórias reais de superação e novos caminhos sendo construídos”, destaca.
Mas foi entre os formandos que as histórias mais marcantes ganharam voz.
A coragem de enxergar além das limitações
Albino e com baixa visão, Claudemiro Alves enfrentou desafios ao longo do curso, mas encontrou no acolhimento e no respeito a base para seguir em frente.
“Eu tive dificuldades, sim, mas me senti acolhido. O deficiente visual não quer ser visto como coitado, ele quer ser visto como alguém capaz de fazer o que qualquer pessoa faz. A diferença é que a gente faz no nosso tempo”, afirma.

Cláudio, como é conhecido na cidade, destaca que o ambiente criado durante a capacitação foi essencial para a sua evolução. “Esse respeito, esse carinho da professora, proporcionado pelo Sebrae-SP e pela Prefeitura, me deram segurança. Fui respeitado dentro dos meus limites, e isso fez toda a diferença. Hoje estou aqui para provar que é possível”.
Único homem em uma turma formada por 16 mulheres, ele decidiu participar motivado por um convite especial e por sua própria essência. “Sou movido a desafios. Minha esposa me incentivou e eu aceitei. Fui muito bem recebido por todas, com carinho e respeito”, conta.
Mais do que concluir o curso, Cláudio já projeta o futuro. “Quero adquirir uma máquina industrial e continuar me aperfeiçoando. A prática leva à perfeição, e eu quero ir além”.
Ele também compartilha um pouco de sua condição, explicando que nasceu com albinismo, uma condição genética que afeta a pigmentação da pele e dos olhos, impactando diretamente sua visão. Ainda assim, nunca permitiu que isso limitasse seus caminhos.
“Sou formado como chefe de cozinha, trabalho com comunicação em uma rádio local e estou começando também como influenciador. A dificuldade, muitas vezes, está mais na cabeça da gente, do que na realidade”.
Quando a força supera qualquer ausência
A história de Adriana Teixeira é daquelas que não se explicam apenas com palavras, se sentem. Sem um dos braços, consequência de uma negligência médica ainda nos primeiros dias de vida, ela cresceu ouvindo limitações impostas por outras pessoas. Mas, com o tempo, descobriu algo mais forte do que qualquer dificuldade: a própria capacidade.
“Para mim, foi incrível participar deste curso. Uma superação pessoal. Eu nunca imaginei que conseguiria”, conta, emocionada.

Foi depois de se tornar mãe que Adriana passou a enxergar sua força de forma diferente. No cuidado com os filhos, aprendeu sozinha a fazer tudo. E foi justamente essa vivência que despertou nela a coragem de tentar algo novo.
“Depois que fui mãe, descobri o quanto sou capaz. Quando vi que teria o curso, pensei: eu quero e eu vou. E, se não conseguir, pelo menos tentei.”
Mas ela conseguiu. Logo após o término da capacitação, Adriana já colocou em prática o que aprendeu. “Um dia depois, já fiz um conserto. Agora quero comprar uma máquina para costurar em casa, para minha família. Minhas irmãs e minha mãe já estão esperando”, conta, com um sorriso de quem sabe que está apenas começando.
Mais do que aprender uma nova profissão, Adriana encontrou algo ainda maior: pertencimento. “Foi gratificante. Pois me mostrou que eu consigo muito mais do que eu imaginava. É um sentimento que transborda, não dá para explicar”.
Sua história carrega marcas difíceis, mas também uma força admirável. Ainda recém-nascida, perdeu o braço após a aplicação incorreta de um medicamento. Desde então, precisou aprender a viver e se adaptar e fez isso com coragem.
“Aprendi tudo com uma mão só. Engatinhar, andar, me vestir, cuidar da casa, ser mãe. Sempre cuidei dos meus filhos sozinha. Teve um dia que eu não tinha ninguém para ajudar e precisei dar banho. E ali eu percebi que eu era capaz. Nunca mais pedi ajuda”.
Hoje, Adriana não fala apenas por si. Sua trajetória se torna símbolo de algo maior, a certeza de que limites existem, mas não definem o destino. “Qualquer pessoa pode ser o que quiser”. E ela prova isso todos os dias.
As histórias de Claudio e Adriana representam o verdadeiro impacto da iniciativa: inclusão, oportunidade e transformação social. Mais do que formar profissionais, o curso mostrou que o empreendedorismo pode e deve ser acessível a todos.
“Porque, no fim, não é sobre costura. É sobre provar, todos os dias, que limites existem para serem superados”, finalizam os formandos.