Projeto do Sebrae-RN leva qualificação da produção de leite para assentamentos potiguares | ASN Rio Grande do Norte
O fortalecimento da bovinocultura leiteira nos assentamentos do Rio Grande do Norte ganhou um novo impulso com o lançamento oficial do Projeto de Encadeamento Produtivo – Qualificação dos Produtores de Leite. A iniciativa, voltada especificamente para assentamentos da reforma agrária, foi apresentada em reunião com produtores nessa segunda-feira (30), no Balneário Manoel de Louro, em São José do Seridó (RN).
O projeto tem como objetivo promover o desenvolvimento da pecuária leiteira por meio de assistência técnica especializada, melhoria do manejo produtivo e qualificação da gestão rural. Nesta primeira etapa, serão contemplados produtores dos assentamentos localizados nos municípios de São José do Seridó e São Rafael.

A programação incluiu a apresentação detalhada do projeto, orientações sobre a participação e a assinatura do Termo de Adesão pelos produtores. A ação reuniu representantes do Sebrae Nacional e do Sebrae no Rio Grande do Norte, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), além de prefeitos dos municípios beneficiados e produtores rurais.
O diretor técnico do Sebrae-RN, João Hélio Cavalcanti, destacou que a iniciativa representa um avanço importante na democratização do acesso à tecnologia no campo.
“Esse é mais um projeto que estamos fortalecendo a bovinocultura no estado. Vamos qualificar os produtores levando inovação e tecnologia, especialmente por meio do melhoramento genético. O grande produtor sempre teve acesso a isso. Nosso objetivo agora é garantir que o pequeno produtor, especialmente nos assentamentos, também tenha acesso ao que há de melhor no país”, afirmou João Hélio Cavalcanti.
Segundo João Hélio, o projeto conta com investimento de R$ 3 milhões do Sebrae e já possui 80 produtores inscritos, com expectativa de alcançar até 120 participantes. A proposta também integra soluções voltadas à convivência com o semiárido, com tecnologias que asseguram a manutenção do rebanho mesmo em períodos de estiagem.

A coordenadora de agronegócios do Sebrae Nacional, Cláudia Stehling, ressaltou a importância de agregar valor à produção leiteira. “Nosso foco é aprimorar a qualidade do leite e dos produtos derivados. A cadeia produtiva do leite enfrenta desafios importantes, e a gestão eficiente, aliada à genética e ao espírito empreendedor, são fundamentais para garantir sustentabilidade e rentabilidade ao produtor”, destacou.
O superintendente regional do INCRA no Rio Grande do Norte, Davi Soares, enfatizou que o projeto é resultado de mais de três anos de articulação entre as instituições. “Estamos falando de um modelo de reforma agrária que vai além do acesso à terra. É terra com tecnologia, crédito, assistência técnica e acesso ao mercado. Esse projeto fortalece uma cadeia produtiva já consolidada e cria oportunidades reais de desenvolvimento para os assentamentos”, pontuou.
Também presente na reunião de lançamento, a chefe da Divisão de Assistência Técnica do INCRA, Dileia Santana dos Santos, explicou que o órgão atuará na atualização cadastral das famílias e no acesso ao crédito, que pode variar entre R$ 8 mil e R$ 16 mil por família, além de crédito específico para jovens.
Os prefeitos dos municípios beneficiados também destacaram a relevância da iniciativa. O prefeito de São Rafael, Francisco Canindé dos Santos, conhecido como Canindé da Farmácia, reforçou o impacto positivo para a população.
“Esse projeto chega em um momento importante e vai beneficiar diretamente a comunidade, trazendo apoio de qualidade para os produtores que enfrentam as dificuldades do semiárido”, afirmou.
Já o prefeito de São José do Seridó, Jackson Dantas, destacou a força da produção local. “Hoje, nosso município produz entre 25 e 30 mil litros de leite por dia. O assentamento Seridó é uma área produtiva, com quase 4 mil hectares, e já conta com iniciativas exitosas com apoio do Sebrae, como o cultivo de algodão agroecológico”, ressaltou.
Para os produtores, a expectativa é de aumento significativo na produtividade. O agricultor Isaias Eliseu, que atua há mais de uma década na atividade leiteira, acredita que a iniciativa trará resultados concretos. “Hoje a média é de cerca de 12 litros por vaca. Com esse projeto, a gente espera melhorar a genética e chegar a uma produção de 30 a 40 litros. Isso vai fazer uma grande diferença para a região”, afirmou.
Qualificação e resultados esperados
De acordo com o analista técnico do Sebrae-RN, Luis Felipe, o projeto busca enfrentar desafios históricos da cadeia produtiva, como a baixa produtividade, a falta de acompanhamento técnico e a irregularidade na qualidade do leite.
Entre as principais entregas estão o acompanhamento mensal técnico e gerencial, adequação às exigências sanitárias, aumento da produtividade e melhoria nos indicadores de qualidade, como a contagem bacteriana e de células somáticas.
A meta é elevar a produção por hectare, aumentar em 20% os índices de fertilidade das propriedades e garantir a adoção de práticas sanitárias em 100% das unidades atendidas.
Com a iniciativa, o Sebrae-RN e seus parceiros apostam na qualificação como caminho para tornar a cadeia leiteira mais competitiva, sustentável e inclusiva, promovendo geração de renda e desenvolvimento econômico nos assentamentos do Rio Grande do Norte.